Quando procurar terapia para um adolescente
Alguns sinais merecem atenção quando duram semanas ou mudam o jeito de ser do adolescente: isolamento do que antes gostava, queda brusca no rendimento escolar, irritação constante, tristeza ou choro frequente, mudanças grandes no sono ou na alimentação, medo de ir à escola, brigas que se repetem, uso de álcool ou outras substâncias, automutilação ou qualquer fala sobre não querer viver.
Se houver menção a se machucar ou a morrer, leve a sério e procure ajuda agora: o CVV atende pelo 188, 24 horas, e em risco imediato a emergência é o caminho. Não espere "passar".
Também é motivo legítimo procurar terapia sem crise: separação dos pais, luto, mudança de cidade ou de escola, bullying, dúvidas sobre identidade, ansiedade com vestibular, ou simplesmente porque o adolescente pediu. Pedir ajuda é um sinal de maturidade, não de problema.
Online funciona para essa idade?
Adolescentes costumam se adaptar bem ao vídeo: a tela é um ambiente familiar para eles, e muitos falam com mais soltura no próprio quarto do que num consultório. O profissional avalia, na primeira conversa, se o formato é adequado para aquele adolescente e aquela situação; em alguns casos, pode indicar atendimento presencial ou um serviço de saúde.
Para crianças menores, o atendimento costuma ser presencial, porque envolve brincar e se movimentar. Na adolescência, a conversa já é o centro do trabalho, e o vídeo dá conta.
O que o online exige é um lugar reservado em casa, onde o adolescente possa falar sem ser ouvido. Isso é parte do compromisso da família com o processo.
O papel dos pais
Antes de começar. Quem procura o profissional, agenda e paga são os responsáveis; o atendimento de menor de idade exige autorização deles. Mas o adolescente precisa ser incluído na decisão. Impor a terapia como castigo ("você vai porque está dando trabalho") costuma sabotar o processo. Funciona melhor apresentar como um espaço dele, em que ele pode falar o que quiser com alguém de fora da família.
Na primeira sessão. É comum o profissional conversar primeiro com os pais, ou com pais e adolescente juntos, para entender a queixa e combinar as regras. Depois, as sessões costumam ser só com o adolescente, com encontros com os responsáveis de tempos em tempos, combinados com antecedência.
Durante o processo. Garantir o horário, o lugar reservado e a conexão; não interromper a sessão; não perguntar depois "o que você falou?". E cuidar de si: às vezes o profissional sugere que os pais também façam terapia ou uma orientação de pais, porque mudanças na família ajudam muito.
Até onde vai o sigilo
Esta é a dúvida mais comum, e vale ser direto: o que o adolescente fala na sessão é sigiloso, inclusive em relação aos pais. O Código de Ética do psicólogo protege esse espaço, e sem ele o adolescente simplesmente não fala. O que o profissional compartilha com os responsáveis é o andamento geral do processo e orientações, combinadas com o próprio adolescente.
A exceção é o risco: se houver perigo para a vida ou a integridade do adolescente ou de outra pessoa, o profissional tem o dever de agir, o que inclui informar os responsáveis. Isso é explicado para todos logo no início, para que ninguém se sinta traído depois.
Como escolher o profissional
Procure quem declara atender adolescentes e tem experiência com essa faixa. O registro no conselho é obrigatório: psicólogo com CRP, psiquiatra com CRM e RQE, e, no caso de psicanalistas, formação em instituição reconhecida. O guia como escolher um psicólogo online detalha o que conferir.
Dê voz ao adolescente na escolha: deixe que ele veja os perfis e opine. A chance de o processo dar certo aumenta muito quando ele sente que escolheu. Se depois de algumas sessões ele não se adaptar ao profissional, trocar é normal.
No saudemental.org, cada perfil informa os públicos atendidos, e o registro é conferido pela equipe antes de ir ao ar. Todo atendimento é online, na sala de vídeo do site, e o valor da sessão é único. Veja a lista de profissionais, a página de psicólogo online, como funciona a terapia online e quanto custa. Quando a questão envolve a família toda, a terapia de casal e família online pode ser um caminho complementar.
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Perguntas frequentes
A partir de que idade dá para fazer terapia online?
Não há uma idade fixa. Em geral, a partir da adolescência a conversa já é o centro do trabalho e o vídeo funciona bem. Para crianças menores, o atendimento costuma ser presencial. O profissional avalia caso a caso.
Vou saber o que meu filho fala na terapia?
Não em detalhes. O conteúdo das sessões é sigiloso, e isso é o que permite ao adolescente falar. Os pais recebem orientações e o andamento geral, combinados com o adolescente. Em situação de risco, o profissional informa os responsáveis.
E se meu filho não quiser fazer terapia?
Converse sem impor, apresente como um espaço dele e deixe que participe da escolha do profissional. Se a resistência continuar, os pais podem começar por uma orientação de pais, que também ajuda a família.
Adolescente pode agendar sozinho?
Não. O atendimento de menor de idade exige autorização dos responsáveis, que fazem o agendamento e o pagamento. A partir daí, as sessões costumam ser só com o adolescente.
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